Falar de logística 4PL, para mim, é relativamente fácil, porque venho atuando nesta área há algum tempo; contudo, sei que este é termo desconhecido para muitos profissionais de Comex e/ou logística (e confesso que eu também não sabia nada a respeito, até começar a trabalhar com isso!).
4PL (ou Fourth Part Logistics), conceito “criado” pela antiga Andersen Consulting (atual Accenture), trata-se de uma modalidade de supply chain management, ou seja, o gerenciamento da cadeia de suprimentos por um “quarto membro” da cadeia. Confuso? Nem tanto! Vamos por partes, explicando como funciona esse conceito numa operação de comércio exterior: numa operação de exportação e importação, sempre teremos a figura do exportador e do importador, ou seja, eles são os primeiros membros da cadeia, chamados de 1PL e 2PL. A partir daí, para qualquer operação de comex, necessitaremos do transporte, seja ele em terra, mar ou ar. Aos prestadores de serviço de transporte, damos o nome de 3PL.
Normalmente, uma operação de expo/impo fecharia por aí, não é? Bem, realmente, pode-se concretizar uma operação somente com essas três partes (grosso modo, claro, pois temos outros membros envolvidos na operação, como despachantes, bancos e afins). E então, onde entra o 4PL? Os operadores logísticos 4PL atuam como gestores da cadeia de suprimentos de um cliente; a empresa que presta este tipo de serviço agirá como um agente integrador entre as partes, acompanhando todos os processos de ponta a ponta, e tendo contato com todos os membros da cadeia, sejam eles exportadores, importadores, despachantes, transportadores… Ou seja, traçando um paralelo com a obra de George Orwell, a logística 4PL seria como o Big Brother (em tempo: Big Brother é um personagem do livro “1984”, de Orwell. Se você pensou no reality show, saia deste blog agora, por favor), que mantém a cadeia sob constante vigilância.
Agora, se há a possibilidade de contratação de empresas para prestar esse tipo de serviço, visando manter a cadeia de suprimentos alinhada, por que a 4PL é tão pouco difundida? Bem, não poderia dar uma resposta concreta do porquê, visto que cada empresa deve ter sua razão por não optar por tal serviço, e algumas talvez nem saibam da existência do mesmo. Porém, a MEU ver, entendo que um projeto de implantação de um 4PL é muito longo, árduo e trabalhoso, além, é claro, de custoso. Deve-se mapear todos os processos, os tempos, os envolvidos, as possíveis intempéries, as rotas… Isso tudo leva tempo e dinheiro! Muitas empresas de pequeno e médio porte não conseguiriam arcar com tal custo, e é por isso que tais empresas trabalham num modelo de 3PL (o que não é totalmente errado, visto que o volume de operações de empresas pequenas em nada se compara a gigantes multinacionais).
Mas uma tendência que vejo é que, cada vez mais empresas, principalmente as multinacionais, têm começado a trabalhar com este tipo de logística. Para empresas deste porte, é um serviço que agrega muito valor; o volume de exportações e importações destas companhias é absurdo, e (quem trabalha na área sabe) ocorrem muitos desvios e “extra-custos”, como armazenagem, demurrage e afins. Neste sentido, é extremamente benéfico para as empresas ter um “Big Brother” tomando conta de sua cadeia, pontuando as falhas e agindo para revertê-las, além de garantir que os prazos e tempos estabelecidos sejam cumpridos. Esse é o trabalho de um operador de logística 4PL: atuar como o “olho que tudo vê”, garantindo que sua carga chegue, seja no destino, seja na sua planta, nos tempos previstos e sem gastar fortunas de “extra-custos” que, convenhamos, é dinheiro jogado pro alto!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.